"Ontem, por um momento, parei de me preocupar.
Ontem, por um momento, desejei nada, abracei o silêncio e deixei-me levar pelo
Céu, como nuvem bem levinha, que não se importa em que direção o mundo vai girar.
Enquanto nuvem, descobri como é bom não esperar que nada aconteça.
Como é maravilhoso guardar o ar no bolso e segurar o rio com as mãos...
Como
é bom fechar os olhos para o relógio e abrir a visão para dentro,
enxergando um mundo onde o tempo pára, e a felicidade não é uma montanha
que a gente passa a vida inteira tentando escalar.
Como
é difícil não complicar! Como é difícil não ocupar o nosso tempo
perseguindo algo que não podemos alcançar. Como é difícil se entregar ao
silêncio entre dois pensamentos e se deixar levar pelo silêncio que
dura uma eternidade...
Silêncio que nos transforma em meninos nuvens brincando no céu, sem pressa de amadurecer em pingos de chuva.
Silêncio
que, quando enfim cai como tempestade, se transforma em pingos
dançarinos de poças de chuva, enquanto o mundo se esconde sob o peso do
guarda-chuva do não se molhar.
Hoje
vou tentar novamente virar nuvem que passa; quem sabe com a prática eu
acabe virando nuvem floquinho, que em olhar de menino muda de forma e
vai indo embora, para onde o mundo levar..."
- Frank -
Londres, 11 de Julho 2004.

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